Implantação da Colônia Portuguesa

  • Não se inicia de imediato, em 1500, pois Portugal se ocupava com o comércio oriental, além disso na parte que lhe cabia do Novo Mundo (América) não havia sido encontrado ouro e prata ou produtos similares que rivalizassem em competitividade.
  • Uti Possidetis -> princípio jurídico segundo o qual a terra é de quem ocupa.
  • Passados 30 anos da chegada de Cabral, Portugual temendo a invasão de estrangeiros começa a colonização de maneira sistematizada. Foram distribuídas 12 Capitanias Hereditárias, que permaneceram até meados do século XVIII.
  • Pau-Brasil
    • Primeiro produto explorado no Brasil, por ter mercado (tintura) e ser de fácil extração, pois estava em florestas próximas à costa.
    • Feitorias: fortificações construídas ao longo da costa, que serviam para armazenagem e carregamento da madeira nos navios, proteção da costa e como pequenos núcleos colonizadores.
    • Estanco: monopólio da coroa portuguesa sobre a extração do pau-brasil.
    • Escambo: troca, realizada entre indígenas e portugueses. Os primeiros faziam a extração e o transporte da madeira e em troca recebiam objetos de pouco valor financeiro, como espelhos, miçangas, colheres etc.
    • Contrabandistas estrangeiros começam a aportar na costa brasileira para também extrair a madeira, o que levou Portugual a enviar expedições militares para patrulhar a costa.
  • Cana-de-Açúcar
    • Seu plantio já havia sido implantado com sucesso no arquipélago de Açores, na Ilha da Madeira, Cabeo Verde, São Tomé e Príncipe.
    • Produto altamente lucrativo e incentivado pelos Banqueiros de Flandres.
    • Sistema de Plantation.
    • Engenho.
  • Estrutura da sociedade

Pirâmide da sociedade açucareira.

  • Escravidão
    • Os FIlhos de Cam.
    • Os índios seriam almas puras, como crianças, devendo portanto ser convertidos ao cristianismo e não escravizados.
    • A captura de prisioneiros de guerra para escravidão era práticada por alguns povos africanos.
    • Navios Tumbeiros – onde os africanos eram transportados para a América, sob péssimas condições.
    • O comércio de africanos (tráfico negreiro) era mais um mercado a ser explorado.

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A Redenção de Cam – Quadro

Pintura à óleo feita por Modesto Brocos, em 1895.

Vede a aurora-criança, como sorri e fulgura, no colo da mulata – aurora filha do dilúvio, neta da noite. Cam está redimido! Está gorada a praga de Noé. – por Olavo Bilac

 

A Escravidão e os Filhos de Cam

O mapa do mundo dividido entre os filhos de Noé, desenhado em 623 por Isidore de Sevilha

18. Os filhos de Noé que saíram da arca eram Sem, Cam e Jafet. Cam era o pai de Canaã.

19. Estes eram os três filhos de Noé. É por eles que foi povoada toda a terra.

20. Noé, que era agricultor, plantou uma vinha.

21. Tendo bebido vinho, embriagou-se, e apareceu nu no meio de sua tenda.

22. Cam, o pai de Canaã, vendo a nudez de seu pai, saiu e foi contá-lo aos seus irmãos.

23. Mas, Sem e Jafet, tomando uma capa, puseram-na sobre os seus ombros e foram cobrir a nudez de seu pai, andando de costas; e não viram a nudez de seu pai, pois que tinham os seus rostos voltados.

24. Quando Noé despertou de sua embriaguez, soube o que lhe tinha feito o seu filho mais novo.

25. “Maldito seja Canaã, disse ele; que ele seja o último dos escravos de seus irmãos!”

26. E acrescentou : “Bendito seja o Senhor Deus de Sem, e Canaã seja seu escravo!

27. Que Deus dilate a Jafet; e este habite nas tendas de Sem, e Canaã seja seu escravo!”

Gênesis Capítulo 9

À estes versículos bíblicos foi atribuída a interpretação católica que respaldou a escravidão de negro africanos – filhos amaldiçoados de Noé, condenados pelos próprio a servirem de escravos aos descendentes de Sem e Jafet, maldição registrada no próprio livro sagrado dos católicos.

No ano 2000 o papa João Paulo II escreveu um documento onde pedia perdão por uma série de crimes cometidos pela Igraja Católica em nome de deus, ao longo de sua existência e entre eles a escravidão:

Tais homens, mulheres e crianças foram vítimas de um vergonhoso comércio do qual tomaram parte pessoas batizadas, mas que não viviam sua fé (…). Deste santuário africano da dor negra, imploramos o perdão do céu. Nós oramos para que no futuro os discípulos de Cristo se demonstrem plenamente fiéis à observância do mandamento do amor fraterno que lhes foi legado pelo seu Mestre. Nós oramos para que os cristãos nunca mais sejam os opressores dos próprios irmãos(…)

João Paulo II – Carta Encíclica Reconciliatio et Paenitentia (Sobre a Reconciliação e a Penitência na Missão da Igreja de Hoje),02/12/1984. Ed. Vozes, Documentos Pontifícios, nº 204, 1984. pp222-223.

Este trecho bíblico ainda é utilizado por alguns grupos cristãos para o exercício de outras formas de preconceito, como atribuir problemas de ordens econômicas, históricas e sociais que afligem parte do continente africano à uma maldição divina, descontextualizando-os.

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Engenho

Engenho de açúcar, 1816, por Henry Koster.

Engenho de açúcar, também abreviado como Engenho, é o nome dado a uma unidade produtora de açúcar, desde o plantio da cana-de-açúcar até sua transformação em açúcar ou outros derivados, como o melaço e a pinga. Eram grandes propriedades (latifúndios), cedidos aos chamados Senhores do Engenho, que não detinham a posse da terra, mas o direito de explicação.

No engenho havia vários espaços:

  • Casa-Grande – moradia do Senhor do Engenho e de sua família. Incialmente o termo era usado para se referir apenas à varanda da casa do senhor, passou a significar todo o conjunto dela.
  • Senzala – habitação ou alojamento dos escravos.
  • Capela
  • Casa do Engenho – local que abrigava todas as instalações destinadas ao preparo do açúcar como: moenda(onde era extraído o caldo da cana, a garapa), fornalhas (onde o caldo da cana era fervido e purificado em tachos de cobre), casa de purgar (onde o açúcar era branqueado, separando-se o açúcar mascavo (escuro) do açúcar de melhor qualidade).
  • Plantação ou Eito
Do preparo do açúcar.

Clique na imagem para ver as etapas do processo de produção de açúcar.

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Holandeses e a Economia Açucareira no Brasil

A produção açucareira no Brasil requeria a instalação de uma infraestrutura complexa e, portanto, custosa. A coroa portuguesa não possuía o capital necessário para o empreendimento, que foi buscar em banqueiros europeus, dentre os quais destacavam-se os holandeses, que posteriomente tornariam-se centrais.

Inicialmente investidores – através de empréstimos – os holandeses passaram a ter os direitos de refino e distribuição do açúcar no mercado europeu, além do tranporte do produto de Portugal para a Holanda. Ao assumirem atravessadores do açúcar tornaram-se os principais beneficiados do comércio de açúcar, já que eram tempos de economia mercantilista e o acúmulo de riqueza situava-se principalmente na comercialização (distribuição) dos produtos, ao invés da produção.

Esta relação foi importante na consolidação da classe mercantil holandesa, que se beneficia dela até o final do século XVI, quando Portugal é anexada à Espanha e tem início a União Ibérica.  O processo de formação da República Holandesa dos Países Baixos Unidos aconteceu em meio à confrontos com forças espanholas, que exerciam poder político sobre a região, teve fim em 1579, um ano antes da união dos reinos ibéricos, o que acarretou na perda dos direitos de participação na economia açucareira no Brasil. Afim de reverter os prejuízos os holandeses promoveram invasões à costa brasileira e se estabeleceram na região de Pernambuco, a maior produtora da colônia.

A Guerra de Reconquista da Península Ibérica

Reconquista é o nome dado às diversas disputas travadas por cristãos contra árabes muçulmanos pelo domínio do território da Península Ibérica, que começou no século VIII – após o estabelecimento dos árabes na região que fazia parte do Império Romano – e terminou em 1492, com a queda da cidade islâmica de Granada.

Após a queda do Império Romano, a Península Ibérica foi ocupada por povos germânicos, que se converteram ao cristianismo durante o período da Alta Idade Média. Após a morte de Maomé, os muçulmanos passaram a expandir seus domínios pelo norte da África até chegar à Península. Um dos motivos que contribuíram para a expansão islâmica na península foi a organização fechada da economia europeia.

A ofensiva cristã se deu pelo norte da península e conseguiu tomar o território dos muçulmanos. Vários centros importantes para os árabes foram caindo, como Córdoba e Sevilha, no século XIII. Ao reconquistar, pouco a pouco, a Península Ibérica, os cristãos também fundaram reinos, processo importante para/de formação da Portugal e Espanha.

Revolução de Avis

D. Nuno Álvares Pereira, cavaleiro e herói da Ordem de Avis da Revolução de Avis

Após anos da dinastia de Borgonha no poder, o trono fica ameaçado com a morte de D. Fernando, que não deixa herdeiros homens. Sua filha, Dona Beatriz, é casada com o rei de Castela, D. João I. Se ela ficasse com o trono, Portugal voltaria a ser um condado de Castela.

A nobreza apoiava a decisão de se aproximar novamente de Castela, enquanto a burguesia considerava que haveria perda de autonomia, logo seus interesses comerciais seriam prejudicados. Estes resolveram apoiar D. João, Mestre da Ordem de Avis, que era irmão do monarca falecido.

Castela não reconhece a coroação de D. João e invade o país. Com o apoio da nobreza, D. João I luta contra a burguesia, a pequena nobreza militar e o restante da população para tentar anexar o país. Em 1385 na batalha de Aljubarrota, os castelhanos são derrotados e a independência de Portugal foi assegurada.

Essa vitória ficou conhecida como Revolução de Avis e iniciou-se a Dinastia de Avis, que foi a grande responsável pela expansão marítima de Portugal no século XV.

Uma reflexão sobre os processos de colonização

“Por que os Estados Unidos são tão ricos e nós, o Brasil, somos tão pobres? Por que as coisas parecem dar certo lá e não aqui? (…) As explicações de maior sucesso são sempre as mais simples, mesmo que a realidade seja de fato muito complexa. Uma destas explicações, talvez a pior de todas, argumenta que existem colônias de exploração e de povoamento.

As colônias de exploração, é claro, seriam as ibéricas. Como aprende-se na definição, as áreas colonizadas por Portugal e Espanha existiram apenas para enriquecer as metrópoles. Nesse tipo de colônia, as pessoas sairiam da Europa apenas para enriquecer e retornar ao país de origem. Esta verdade tão cômoda explicaria o subdesenvolvimento de países como Peru, Brasil e México: todos eles foram colônias de exploração.

O oposto das colônias de exploração seriam as colônias de povoamento. Para essas, as pessoas iriam não com o objetivo de enriquecer e voltar, mas para morar na nova terra. Logo, sua atitude não seria predatória, mas preocupada com o desenvolvimento local. Isto explicaria o grande desenvolvimento das áreas anglo-saxônicas como os EUA e Canadá. (…)

No século XVII, quando a América espanhola já apresentava universidade, bispados, produções literárias e artísticas de várias gerações, a costa inglesa da América do Norte era um amontoado de pequenas aldeias atacadas por índios e rondadas pela fome. (…) Decorridos cem anos do início da colonização, caso comparássemos as duas Américas constataríamos que a ibérica tornou-se muito mais urbana e possuía mais comércio, maior população e produções artísticas e culturais mais ‘desenvolvidas’ que a inglesa.

Nesse fato vai residir a maior facilidade dos colonos norte-americanos em proclamarem a sua independência. (…) a falta de um efetivo projeto colonial aproximou os EUA de sua independência. As 13 colônias nascem sem a tutela direta do Estado. Por ter sido ‘fraca’ (…) a colonização inglesa deu origem à primeira independência vitoriosa da América”.

KARNAL, L. A Formação da Nação. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. Contexto, SP, 2011, pp.23-29.

Implantação da Colônia Espanhola

Batalha de Pavia, por Barnaert von Orley (entre 1528 e 1531)

  • Colonização bastante agressiva, com conflitos abertos e explorando a rivalidade existente entre povos locais.
    • Hernán Cortés e Bartolomé de Las Casas
  • Povos locais anteriores à chegada e principais conflitos:
    • Astecas
    • Maias
    • Incas.
  • Os espanhóis localizaram áreas de exploração de minérios já estabelecidas pelos povos locais e as dominaram, aproveitando da estrutura já estabelecida.
  • Estabelece-se de uma burocracia para administrar a vasta porção de terra dominada, os Vice -Reinados e Capitanias Gerais, compostos por funcionários da coroa com funções administrativas e judiciárias.
  • Cabildos: câmaras municipais para administração, composta pelas elites locais
  • Casa de Contratação e Real e Supremo Conselho das Índias: órgãos situados na Espanha para a administração das colônias (legislar, nomear funcionários, fiscalizar e exercer tutela sobre os índios)
  • Elementos da economia da colônia:
    • Saque inicial, especialmente na região dos atuais México e do Peru
    • Agricultura, com a instalação das haciendas, inicialmente voltadas para alimentar as áreas mineradoras, mas com o esgotamentos destas tomam vida própria, originando povoados.
    • Mineração intensiva, com a mita e a encomienda
  • Da sociedade colonial:
    • Chapetones -> altos funcionários, comerciantes privilegiados, fazendeiros e militares nascidos na Espanha, residentes na colônia
    • Criollos -> brancos nascidos na América, muitas vezes parte da elite econômica local, mas com direitos restritos.
    • Mestizos
    • Índios: sobreviventes do massacre inicial.
    • Escravos: africanos.