Tratado de Methuen – 1703

Este tratado comercial, assinado entre Inglaterra e Portugal em 1703 estabelecia a livre entrada dos tecidos ingleses em Portugal e uma redução nas tarifas dos vinhos portugueses que entravam na Inglaterra, colocando-os em vantagem em relação aos concorrentes franceses.

É importante notar neste tratado a natureza das duas produções: os tecidos ingleses eram produzidos num primeiro momento em regime de manufatura e posteriormente industrial, enquanto a produção do vinho era artesanal. Enquanto o tratado impulsionava o avanço da indústria na Inglaterra, assegurava a permanência de Portugal na produção artesanal, gerando a longo prazo uma grande disparidade entre as nações. Além disso o tecido é um produto de maior necessidade em relação ao vinho, o que lhe assegurava mais vendas.

D. Sebastião e o sebastianismo

Retrato do Rei D. Sebastião, por Cristovão de , Morais, entre 1571 e 1574.

O Rei

D. Sebastião I de Portugal, rei de Portugal e dos Algarves, nasceu no dia 20 de janeiro 1554 na cidade de Lisboa e viveu até 4 de agosto 1578, faleceu na batalha de Alcácer-Quibir. Foi o penúltimo rei da Dinastia de Avis tornando-se rei de com apenas 3 anos de idade no dia 11 de junho de 1557 até a sua morte. Herdou o trono diretamente de seu avô D. João III, já que seu pai havia falecido poucas semanas antes de seu nascimento.

Durante sua infância a regência de Portugal foi feita primeiro pela sua avó paterna Catarina da Austria, e mais tarde pelo seu tio-avô, o cardeal Henrique de Évora. Teve como tutores padres jesuítas e foi muito religioso ao longo de sua vida.

Em 1572 Camões pulblica o épico Os Lusíadas e dedica uma das poesias ao, então, rei D. Sebastião que, por sua vez, beneficia o poeta com uma pensão vitalícia. Alguns críticos de Camões apontam que o poeta não só narrou a formação do Império Português como também viveu o início de seu fim, interpretando Os Lusíadas como um registro desse tempo que estava acabando.

Em 1968 D. Sebastião procurou promover uma cruzada contra Marrocos com o objetivo de recuperar diversos postos de viagem do Caminho das Índias perdidos durante o governo de seu avô. Ele se aproveita em 1576 quando Abu Abdallah Mohammed II Saadi é destronado pelo seu tio e rival Abu Marwan Abd al-Malik I Saadi para fazer um aliado que o ajudaria nessa batalha. Também buscou apoio da Espanha que recusou dizendo que estava buscando um acordo de paz com os turcos mas que mandaria um exercíto de voluntários para ajudar, mas que nunca foi enviado.

Quando reune seus 17000 soldados com os 6000 de Abu Abdallah decide partir para o interior do Marrocos, contra a vontade de seus fidalgos(nobres), mas é vencido na batalha de Alcácer-Quibir (Batalha dos três reis) pelo contingente de cerca de 60000 homens sob o comando de Abd al-Malik. Batalha na qual o rei D. Sebatião foi visto pela última vez e supostamente seu corpo nunca mais foi encontrado.

Pouco tempo após a queda em Alcácer-Quibir os portugueses já começaram a alimentar a esperança pelo retorno do rei. Já que muitos prisioneiros tinham sobrevivido e estavam retornando para Portugal e o paradeiro do corpo de D. Sebastião era desconhecido.

Seu legado

O desaparecimento de D. Sebastião instaura uma crise no Império português, já que o rei havia partido para Marrocos sem casar e deixar herdeiros. O trono é ocupado pelo seu tio-avô D. Henrique que, além de idoso, era sacdrdote da Igreja Católica e não tinha descendentes. A Dinastia de Avis assistia ao seu desaparecimento sem herdeiros.

Em 1580 chega ao fim a Dinastia de Avis com o trono português sendo ocupado por D. Felipe II da Espanha iniciando o período da União Ibérica, quando os tronos de Portugal e Espanha passam a ser ocupados pelo mesmo rei.

Preocupado com a crescente popularização na crença no retorno de D. Sebastião, o rei Felipe II, anuncia, ainda em 1580, ter recebido o corpo do rei desaparecido e enterrado-o no Mosteiro dos Jerónimos em Belém, Lisboa.

A esperança do retorno do rei possibilitou que, ao menos quatro pessoas ao longo da União Ibérica, se apresentassem como sendo D. Sebastião, como um italiano que foi enforcado em 1619.

Com o passar do tempo a espera pelo rei D. Sebastião vai ganhando contornos messiânicos. As trovas do profeta de rua, o sapateiro Bandarra, foram re-interpretadas como anuncio do retorno do tão esperado monarca. Que também passou a ser conhecidos por epitetos como O Desejado, O Encoberto, ou O Adormecido, em referência ao seu sonhado retorno entre as brumas de um nevoeiro.

É importante que o mito d’O Encoberto não se trata da esperança do retorno do rei própriamente dito, mesmo tendo se iniciado assim. Com o fim da Dinastia de Avis e o inicío da União Ibérica acredita-se no retorno do rei vivo, para restituir a Portugal seu trono. No entanto após o fim da União Ibérica, em 1640, e o início da Dinastia de Bragança o mito passa a ter um caráter mais messiânico. Diante de cada crise que irá abalar a economia ou a política portuguesa ao longo dos séculos posteriores à restauração de 1640 o nome de D. Sebastião retorna com a promessa de seu próprio retorno em referência à prosperidade e conquistas que marcaram a história portuguesa ao longo da Dinastia de Avis (que foi a Dinastia em que Portugal conquistou seu Império Ultra-marinho). D. Sebastião passa a ser uma figura redentora que salvaria a Nação Portuguesa de seus problemas e restituiria à Portugal uma suposta continuidade de um destino grandioso revelado pela História de seu Império, que foi interrompido com o fim da Dinastia de Avis.

O mito sebastianista irá influenciar pensadores e poetas portugueses como o Padre Vieira e Fernando Pessoa. Que irão pensar o futuro de Portugal a partir da ideia do retorno de D. Sebastião.

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Revolução de Avis

D. Nuno Álvares Pereira, cavaleiro e herói da Ordem de Avis da Revolução de Avis

Após anos da dinastia de Borgonha no poder, o trono fica ameaçado com a morte de D. Fernando, que não deixa herdeiros homens. Sua filha, Dona Beatriz, é casada com o rei de Castela, D. João I. Se ela ficasse com o trono, Portugal voltaria a ser um condado de Castela.

A nobreza apoiava a decisão de se aproximar novamente de Castela, enquanto a burguesia considerava que haveria perda de autonomia, logo seus interesses comerciais seriam prejudicados. Estes resolveram apoiar D. João, Mestre da Ordem de Avis, que era irmão do monarca falecido.

Castela não reconhece a coroação de D. João e invade o país. Com o apoio da nobreza, D. João I luta contra a burguesia, a pequena nobreza militar e o restante da população para tentar anexar o país. Em 1385 na batalha de Aljubarrota, os castelhanos são derrotados e a independência de Portugal foi assegurada.

Essa vitória ficou conhecida como Revolução de Avis e iniciou-se a Dinastia de Avis, que foi a grande responsável pela expansão marítima de Portugal no século XV.